Quinta-feira, Julho 23, 2009

recebi estes dias um email de apoio escrito por Claudio Willer, que reproduzirei abaixo. para quem não conhece, Willer além de grande militante no meio literário, com diversas passagens pela UBE (União Brasileira dos Escritores), é um dos grandes poetas beats (e surrealistas) brasileiros, tendo traduzido os livros Uivo e Kaddish, do Ginsberg, e recentemente foi escolhido para escrever o livro sobre a Geração Beat, da coleção Encyclopaedia, da L&PM.

Seguem as palavras de Claudio Willer.

" Re: a repressão à poesia na flip - matéria do jb e posição da curadoria literária da OFF‏
From: Claudio Willer
Sent: Saturday, July 18, 2009 4:17:50 PM
To: lucila nogueira; estudos-contemporaneos; Ovidio Poli Junior; Pedro Tostes

Minha solidariedade aos autores prejudicados e maltratados pela burocracia. Prefeitura de Paraty devia ao menos ter instruído seus fiscais para informarem aos poetas o motivo da proibição.
abraço,
Claudio Willer
cjwiller@uol.com.br
www.revista.agulha.nom.br
www.secrel.com.br/jpoesia/cw.html
www.triplov.com/willer/index.html
www.tvcronopios.com.br/bitniks04/"

Quarta-feira, Julho 22, 2009

primeiramente queria agradecer a todas as manifestações de apoio recebidas no último mês. a todos que se manifestaram também peço desculpas pelo longo silêncio - além da minha tradicional lentidão com a internet soma-se a minha itinerância em locais não plugados no último mês e também ao meu direito a reflexão sobre o episódio para que as minhas palavras não nos fizessem perder o que temos de mais importante: a razão.

então segue abaixo o meu comentário sobre o (triste) episódio da apreensão de 16 exemplares do meu livro "Descaminhar".


---x---


"Personalidades autoritárias temem que a ameaça não venha das idéias, e sim da emoção. Quem está no poder nunca quer que nós tenhamos sentimentos. O pensamento pode ser controlado e manipulado, mas a emoção é obstinada e imprevisível. Artistas ameaçam a autoridade expondo mentiras e inspirando a paixão pela mudança. É por isso que quando tiranos assumem o poder, seus pelotões de fuzilamento miram no coração do escritor".
(Robert McKee)

Para quem ainda não sabe o episódio:

Na Quinta-Feira, 02/07, estava trabalhando na FLIP, vendendo meu livro Descaminhar, no velho e prazeroso esquema de abordagem direta, olho no olho, mão em mão, quando fui alertado por um fiscal de que a FLIP havia solicitado à Prefeitura de Paraty que não permitisse que ninguém trabalhasse vendendo seus materiais na cidade, mesmo eu sendo um convidado da Off-Flip e mesmo o produto que eu estava ali divulgando sendo algo extremamente pertinente ao momento: um livro. No segundo momento, quando chamado por uma leitora que havia visto anteriormente o livro e estava interessada, fui novamente repreendido pelo fiscal que então tomou uma absurda atitude para o século XXI - Apreendeu os livros, escritos e produzidos por mim mesmo, dos quais eu sou único responsável e proprietario dos direitos autorais, sob o argumento de que eu estava "comercializando produtos sem autorização".

É importante ressaltar que eu em momento algum montei uma banca, uma barraca ou qualquer coisa do tipo - o que descaracterizaria qualquer dano patrimonial a cidade, desculpa oficial que surgiu dias depois da FLIP mas que sequer foi comentada durante a FLIP. Eu estava apenas divulgando de mão em mão, olho no olho, dentro do meu direito de ir e vir e de livre expressão artística. Eu não estava portando logotipo de nenhuma empresa, não estava vinculado a nenhuma instituição ou pessoa juridica e, portanto, esse ato não pode ser caracterizado como "ação comercial". A origem da poesia vem das ruas e praças, onde ela nasceu. No entanto, desde os tempos dos trovadores o artista precisa comer e ter onde dormir e, portanto, faz-se necessário dentro de um trabalho de divulgação a contrapartida financeira.

Diante de tal situação rumamos eu, Berimba de Jesus e Rodrigo Ciriaco para a Off-FLIP, que nos havia convidado, a fim de relatar o episódio. Quando conversamos com o Ovidio, ele nos informou que a FLIP já havia repreendido também algumas meninas que estavam divulgando folhetos da Off-FLIP e demonstrou grande preocupação com o fato. Na mesma tarde Rodrigo comunicou Marcelino Freire do ocorrido e nós também conversamos com a Lia, da Off-FLIP, que também se comprometeu a atuar no sentido de lutar pela liberação do nosso trabalho. Graças a um esforço conjunto de diversas pessoas, que procuraram a direção da FLIP e a imprensa, conseguimos finalmente chegar ao Sr. Didito, que nos informou "que a FLIP não queria ser caracterizada como um evento comercial, que não queriam que virasse uma feira." Explicamos a ele a natureza de nosso trabalho, que não estavamos montando barracas, o que descaracterizaria a "feira", que a literatura de rua é uma tradição antiga no Brasil, que mesmo Manuel Bandeira, homenageado da edição, editava e vendia os próprios livros e, após esta conversa, mesmo com relutância, ele acabou não apenas me autorizando a trabalhar, mas a todos os demais escritores de rua.


---xxx----

O caso é que tal apreensão gera a necessidade de uma reflexão mais ampla sobre o momento cultural que o Brasil vive. Um país que luta para estabelecer uma cultura de leitores não pode abdicar jamais do trabalho dos muitos autores que tomam as ruas para divulgar a literatura. Estas pessoas, de vidas dificeis e que lutam para sobreviver com um minimo de dignidade, dedicam suas mais nobres e vitais energias para ultrapassar as dificeis barreiras impostas entre um autor e seu público. Ninguém fica milionário com isso (muito pelo contrário) e, na verdade, a maior parte dos autores de rua trabalham de segunda a segunda, faça chuva ou faça sol, e ainda por cima sofrem com a pecha de "vagabundos" e com um preconceito cada vez maior, inclusive do meio literário. Como se fossem uma espécie de "sub-literatura". O que, na verdade, esconde um argumento implicito de que só é "boa literatura" aquela literatura que é chancelada pelos meios oficiais. Se você não passou por um crivo editorial, se não tem um respaldo acadêmico, você passa a ser tachado como um "artista menor".

Esse preconceito chancela atitudes autoritárias como a que ocorreu na FLIP, como se o autor que vende o seu livro na rua fosse um mero camelô, vendendo produtos contrabandeados sem recolhimento de impostos. Não é. Um autor que está divulgando sua obra tem um carater diferenciado por alguns motivos. Primeiro: é dono da obra em questão, seu único responsável e detentor dos direitos autorais. Segundo: seu "produto" foi produzido por ele, não foi tomado de ninguém e, portanto, é perfeitamente legítimo que ele possa comercializá-lo. Terceiro: o livro é um produto isento de tributação e, assim, quando ele faz sua venda olho-no-olho não está sonegando nenhum imposto. Quarto: a venda deste "produto" extremamente específico, de valor cultural, pode ser classificado como direito de expressão artística. Pois, quando o artista se depara com as MUITAS barreiras existentes entre ele e o público (que julgo desnecessário citar, pois creio que quase todos sabem das dificuldades de ser publicado e chegar às livrarias no Brasil), as vezes sua única saída é trabalhar com o relacionamento direto com o leitor. Ou seja, se um autor está na rua vendendo seus livros isto muitas vezes reflete uma falta de opções diante da sua necessidade de se expressar e ser lido. Pode-se até questionar eventualmente este caminho. Mas é indiscutível que é algo que deve ser respeitado.

Assim, vejo como necessário aproveitar esse momento para levarmos a uma reflexão, a fim de que se possa revalorizar esta difícil escola das ruas. Essa escola que olha no olho dos leitores, que percebe suas emoções refletidas nos olhos diante do livro, que masca pedras para cuspir flores. O público é também um validador possível para a literatura, não cabendo apenas aos meios tradicionais o poder de chancelar o que é ou não literatura. Até porque estes meios também são dinâmicos e o que antes era considerado bom pode amanhã ser ruim, ao sabor do gosto ou da teoria do momento. Assim, é legítimo legar ao leitor diretamente o direito de decidir o que lhe agrada ao não, independente de resenhas, indicações ou prêmios. Á Cesar o que é de Cesar.

Agora o que dizer a quem sustenta um evento que toma atitudes que deveriam ser sumariamente rechaçadas? Talvez que, assim, a FLIP NEM PARECE FESTA LITERÁRIA. Que NÃO FOI FEITA PARA VOCÊ e NEM ACREDITA NO MELHOR DO BRASIL. Enfim, é algo para se pensar.

Por favor, se você concordar com estas palavras, passe adiante. Não podemos nos calar diante disso.

Repercussões do Caso: (sabendo de mais alguma, me informe. dados by google)

http://www.ptostes.blogspot.com/
http://www.efeito-colateral.blogspot.com/
http://www.logorreia.com.br/
http://sobrecacosepontes.blogspot.com/
http://berimbadejesus.blogspot.com/
http://bethbraitalvim.blogspot.com/
http://flaviadurante.blogspot.com/
http://chacalog.zip.net/
http://photophophoka.livejournal.com/
http://outubro.blogspot.com/
http://otatubola.blogspot.com/
http://www.ube.org.br/lermais_materias.php?cd_materias=3271
http://www.marmitafilosofica.com/
http://www.ambrosia.com.br/
http://jbonline.terra.com.br/leiajb/noticias/2009/07/07/cultura/poetas_de_rua_barrados_na_festa_dos_livros_em_paraty.asp http://mnocelli.blog.uol.com.br/
http://associaodosblogueirosdesocupados.blogspot.com/
http://lysminhalma.zip.net

Abraços e saud-ações a todos,
Pedro Tostes
ptostes@hotmail.com
http://www.ptostes.blogspot.com/

Quarta-feira, Outubro 08, 2008

no país das lasanhas congeladas.

dias duros este de selva, duro sobreviver confinado neste meu bunker. as provisões rareiam, andam escassas. no momento a geladeira exala espaços vazios e dentro do armário apenas arroz e uma lata de molho de tomate. isso me obriga a sair da ostra à caça de alimento.confiro o uniforme: camiseta, bermuda, sandálias. meu veículo de muitos cavalos velhos e mancos está pronto para o ataque enquanto eu procuro as chaves. acho e antes de sair confiro se levo comigo a única arma que tenho para esta caçada: o cartão.

enquanto estaciono meu carro na savana-mercado tomo fôlego e me preparo para a dura missão de garantir a sobrevivência. armo-me de um carrinho e entro no antro de onde terei de sair vivo e com o meu combalido saldo bancário ileso. de cara sou jogado na seção das grandes-necessidades-urgentes-que-eu-deveria-possuir. nada que não possa ser superado com um pouco de vontade e uma estratégia de apenas olhar para a frente. saio inteiro mas logo sou ludibriado por uma miragem-oasís, com uma enorme carta de vinhos disponíveis, whiskyes de primeira, tequila, conhaques, cachaças e refrigerantes. mas um olhar atento revelou que nada daquilo era real, eu não tinha muito mais que 20 mangos pra gastar, e que mesmo uma garrafa de coca-cola seria demais. levei dolly.

até aquele ponto eu me saí bem, mas logo eu teria de passar pela terrível seção das porcarias gostosas. doces, isoporitos, biscoitos e laricas afins, terríveis tentações que corroem qualquer orçamento mas especialmente cruéis após um baseado. tenso, eu passava fingindo ignorar a terrível ameaça que me circundava até que fui surpreendido e atacado por uma promoção de biscoito de chocolate vitaminado por apenas 99 centavos. na jugular. enquanto segurava um pacote, precisei de muito esforço para conter a sangria de despesas que seria aquela missão se eu caísse em tentação. mas resisti e continuei focado em minha difícil caçada.

após isso cheguei aos laticínios e cereais, aonde consegui caçar um litro de leite com soda caustica, um saco de farinha de rosca (pra fazer farofa) e feijão. aquilo havia deixado meu saldo bastante exaurido, mas apertei o cinto e consegui chegar até a seção de carnes e congelados. não tinha mais muita munição, portanto precisaria ser certeiro na fase final desta empreitada.

afinal, o paraíso, a área mais aberta de onde se tinha uma ampla visão e espaço para respirar. ouvia o canto das sereias sair de dentro das geladeiras de sorvete ou mesmo de deliciosos queijos caros. distraidamente acabo parando no país das lasanhas congeladas. molho branco. quatro queijos. bolonhesa. vegetariana. presunto e queijo. todas ali, prontas para serem colocadas no microondas ou forno e serem glutonamente devoradas, sem maior esforço. no entanto, logo caio na real e vejo que o preço, sempre ele, se impõe e me veta este delírio consumista. compro meio quilo de carne moída, cebola, alho e pimentão pra fazer um refogado com a lata de molho de tomate e volto ao meu carro e à minha realidade.

Domingo, Junho 29, 2008

Amor então é?
essa mistura de cheiros e gostos
e gestos e toques e desejos
esse cruzar de pernas que se querem
e esbarrar de bocas que se beijam
em muitos e diversos
ângulos magnéticos

Amor então é?
esse badalar de sinos,
gemer de corpos
contorcionismo e jogar de cabelos
no gozo preciso sobre a paixão do amante
esse querer de novo sempre pedir mais
inventar novas formas de se devorar
e explorar o terreno almejado que é o outro

Amor então é?
o fim disso tudo, suada separação
na entrega suave do abraço
ou mesmo no ir embora
deixando apenas um vazio

(pedro tostes)

Sexta-feira, Junho 27, 2008

ISSO É UM FATO

na companhia de tolos
nós relaxamos ematerros ordinários,
apreciamos comida ruim,
bebida barata,
conhecemos homens e
mulheres do
inferno.

na companhia de tolos
jogamos os dias fora como
guardanapos de papel.

com essa companhia
nossa música é alta e nosso
riso
falso.

não temos nada a perder
além de nós mesmos.

junte-se a nós
nós somos agora
quase que
todo o
mundo.

Deus nos
abençoe.

(C. Bukowski)

Quarta-feira, Junho 18, 2008

cicuta

no arroz-feijão
de cada dia

sempre estar de novo
sem sintonia

cada hora passar mais lenta
vertiginosa

as portas se sucederem num labirinto
sem sentido direção

o sol nascer mais tarde nessas manhãs
estranhas do inverno

longas noites fechadas nas paredes camas lençois estrelas
angustiantes

estável desespero respirável ar denso
quase em desconforto
alinhavado nas ranhuras
da alma posta

as pilulas não preenchem
o vazio o estranho o cinzeiro a poeira
que insistem em se esconder
nos cantos do armário
lacrado

tensa retesa verdade
vidro de aquário cárcere
diante do grande público
insistente em aplaudir
enquanto admira vísceras
expostas ao seu deleite
poema

cicuta

Sábado, Junho 07, 2008

MAIS UM DIA

Deambulo.
Não sei
aonde estou?
quem sou?
Não há nexo.
Descortino.
Nada muda.
Os lugares
iguais.
Escuto música
de ontem.
Sem cores.
Sem luz.
Sentido.
Nem percebi
o sol nasceu.
Ele morreu.
Não consigo
ler jornal.
Tenho medo.
Todo dia.
Acordo, durmo.
Como, bebo,
vivo?
Incerto.
Paradeiro insano.
Não conheço
este lugar.
Minha casa.
Saudade.
Não existe.
Não entendo.
Vida.
Estar?
Eu dobro uma esquina
eu faço um poema.
Eu surto. Eu piro.
Eu sinto coisas
estranhas,

eu sinto.

Quarta-feira, Junho 04, 2008

SINTONIA PARA PRESSA E PRESSÁGIO

Escrevia no espaço.
Hoje, grafo no tempo,
na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.
Sôo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
do escândalo que cala,
no tempo, distância, praça,
que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.

Eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis a luz que se acendeu na casa
e não cabe mais na sala.

(Paulo Leminski)

Domingo, Junho 01, 2008

KY

a vida é dura
não tem caô
e nem ka-ypsilon

Segunda-feira, Maio 26, 2008

ARRITMIA

não
não bate forte coração
não bate
(porque não há descompasso maior no mundo que pulsar)
não bate forte
coração
dias dias lentos rápidos perco o passo
- e paro -
prossegue a procissão incolume segue pastores
presos na torre
futil escolho cato palavras e conto
me dá um desconto
miserável que sou não me vou sem saber desperdicio
ao certo incerto é o que sei
nada sei
descarto correntezas levo o descaminhar
pare!
hora pra descansar
tarde inutil vadia entregue ao ócio vicio barato
diversão
entretanto luto insone insano contra o tempo
contratempos invento
descarto todo obvio linha reta não apraz
a alma nunca tem paz
a paz não tem alma
nada acalma essa fauna urbana
eu fujo
corro bem longe dentro esse eletrocardiograma por isso
não bate
não bate forte
não bate forte coração não bate meu sopro
coração
para.

Sábado, Maio 03, 2008

remexendo alguns textos antigos...

--X--


Minhas cuecas
estão todas sujas
faz 3 dias.

Hoje,foram as meias.
A cortina
proteje minha
maldita priva/cidade

mas rouba
meu sol
de manhã.

Não há glamour
nem o quero
busco senso
algo.

Enrijeço.
Torre
Mente
Ciência

-Loucura-

E a maquina
de moer carne
prossegue
o seu serviço.

Quem se importa com cuecas?

Segunda-feira, Abril 21, 2008

someday, somehow...



----xx----


eu sou sempre
definitivo até o próximo instante

e me consolido
ao ser o que não sou

a arte
é toda feita de contrastes
também
- a ourivaria do efêmero -

o sol é o mesmo
o amanhecer não

há algo que se rompe
e algo que se estanca
há revolução e calmaria
em cada olhar
que cruzo comigo

não há muito o que fazer
só resta acreditarno que é seu
e duvidar do mundo

Quarta-feira, Abril 16, 2008

meu bom e velho amigo, primo, parceiro, irmão, chapa, cumpadi para a vida inteira tomaz me pediu para criar um texto para um trabalho dele sobre pós-modernismo, algo que ele iria postar no blog "O Mundo Morde", que é não por acaso o tema do trabalho dele. enfim, escrevi essa meia duzia de linhas baboseiras para o cara e ainda por cima vou ser besta de postar antes dele... é assim meu chapa, demorou dançou na pista. na verdade nem demorou, sou eu mesmo que nunca posto nada aqui e vou aproveitar para roubar esse texto que te cedi e colocar aqui. tá pensando o que?!? o mundo morde, ué!!


o mundo morde, meu chapa. e sangra. o mundo, este cachorro louco no eterno mês de agosto. os dentes cravados a fundo no fundo são mera brincadeira. o jogo vai mais a fundo, este jogo do mundo. o chato dessa brincadeira é que não dá pra ser criança senão você dança e aí, bau bau, já era, hasta la vista. o prazo a pagar a perder de vista. quem duvida, no fundo, não sabe o que é a vida. veio em brancas nuvens para não fazer diferença, no final esse alguém nem tenta. é duro tentar encarar os duros muros que se poem no mundo - entre o inicio e o sucesso, entre a fortuna e a desgraça, entre as pessoas e o amor, entre você e você. tudo que é sólido desmancha na primeira mordida do mundo. as cicatrizes, essas ficam. no fim das contas todo mundo faz contas no fim do mês, do pedreiro ao chinês, do presidente ao burguês. isso é o mundo. todos nós. e quem morde afinal somos nós. uns aos outros. e isso é o que é mais difícil. é, meu chapa, o mundo morde.

Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

da safra 04...


QUADRO REAL


Madrugada do dia 05 de outubro de 2004 - 1:30

Personagens
Um poeta e um monte de espaços vazios.

Descrição da cena:
O poeta se posta diante do computador com as luzes apagadas. A luz do monitor reflete sobre seu rosto e brilha em seus olhos. A mesa do computador está bastante bagunçada, com cds, papeis, uns dois livros de poesia, uma cartolina, um calendário, uma caixa de cigarros bali-hai, um cinzeiro com guimbas, pontas e restos de fósforos e uma caixa de sabonete. A decoração do resto do quarto harmoniza com a da mesa, com jornais, cuecas e roupas sujas no chão. A toalha está estendida na grade da cama suspensa. A biblioteca sempre sente falta de alguns exemplares que passeiam por lugares mis, muitas vezes insólitos.

Estado subjetivo do personagem central:
Passeia por incompreensões súbitas da realidade. Subjuga sua lógica diante do absurdo que é a vida. Reflete sobre leituras e vidas que não alcançou. Almeja desaprender muita coisa que não lhe ensinaram, mas todos sabem. Não ser é um caminho.

Terça-feira, Novembro 27, 2007

para não dizer que nunca mais postei...

das antigas.


A FARSA

A verdade é que descobri que sou uma farsa. Minha vida é repleta de personagens que não criei, de coisas das quais eu não preciso, de mentiras que sempre sustentei, de paixões que nunca senti, de necessidades falsas, de milhares de pseudoadjetivosobjetossujeitosverbos.
A verdade é que isso nunca me incomodou, embora essa sensação sempre fosse presente em mim, pois não acreditava eu mesmo nas minhas loucuras. Mas ainda sim insisti em construir esses castelos de cartas e neles fiz minha morada, mesmo sabendo da iminência de sua queda, e vivi toda a fortuna que o acaso criou, e sustentei as apostas, e banquei o tolo tantas vezes quanto foi necessário.
A verdade é que eu não presto, eu sempre soube disso e nunca fiz questão de esconder. Infelizmente os outros não acreditaram e buscaram em mim um espelho que nunca pude ser. E eu, mais tolo ainda, me iludi com a imagem sem nem sequer perceber o quanto era frágil não se ser a si mesmo. Talvez seja por isso mesmo que eu não preste.
A verdade é que eu não sei ao certo o quanto sou humano, não mais do que as dores do meu corpo podem me fazer supor, não mais do que os cheiros que emano, e talvez por isso eu brinque com a fragilidade do meu corpo vivendo os excessos que posso. Busco os limites, tomo todos os prazeres que a vida me oferece em múltiplas doses e depois despenco do mais alto apogeu, tal qual Ícaro, porém sem a mesma poesia daquele que o sol buscou. Eu busco coisas menores, mais fúteis, vendo minha alma por meros trocados, sorrisos de piedade.
A verdade é que sou baixo, em mim habitam os piores sentimentos, milhares de loucuras pululam, sinto a insanidade à minha espreita em qualquer esquina e morro de medo dela. Escondo do mundo os meus medos, pois sei que isso seria suficiente para me queimarem no poste, como as bruxas, e também escondo tudo aquilo que não julgo conveniente saberem apenas porque não julgo conveniente saberem, afinal de contas, porque diabos vocês querem saber da minha vida, minha intimidade, meus mais profundos e escondidos sentimentos.
A verdade é que sou poeta, e acredito que todo esse sentimento tem origem nessa maldição que carrego em meu peito -não, em minha mente!-, nesse reinventar a si mesmo o tempo todo, nessa maldita necessidade de sentir o que não se sente apenas porque se sente que é preciso sentir o que não se sente para sentir como se sente aqueles por quem não sentimos, e saber que no fundo tudo isso é só vaidade, que não há um sentido verdadeiro nisso pois é apenas mais outra ilusão, outra loucura para o meu rol.
A verdade é que não acredito em verdades.
A verdade é que isso também é uma farsa.

Sexta-feira, Outubro 05, 2007

finalmente vou postar algo novo...
ainda sem título, aceito sugestões!



........doroty transviada
quantos lares encontrou?
....calcinha manchada
olhar horizonte

por onde
......................vão
os viadutos dourados
........sua desesperança

........não há virtude
que não se perca
....neste descaminhar

............aqui
não se vê
........o arco íris

Terça-feira, Setembro 18, 2007

há! acabei de descobrir que o meu primeiro livro "o mínimo" (ibis libris, 2003) está à venda online pelo site da livraria cultura! chique o rapaz, não?!?
bom, se algum amigo leitor deste blogue ainda não possuir o mesmo e nem puder comprar pessoalmente comigo e estiver com uma tremenda vontade de ler este livrinho (enfim, se algum dos 6 leitores do meu blogue ainda não o tiver) este é o link para comprá-lo a módicos 2 reais:
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=8589126137&sid=015315282991878422590725

e também tem na cia dos livros, mas tá mais caro:
http://www.ciadoslivros.com.br/descricao.asp?cod_livro=TO2860&origem=buscape&origem=buscape

Sábado, Setembro 08, 2007

respondendo a um post da amiga Luciana Frayha Righi, no seu http://www.essasvirgulas.blospot.com , Carlos Drummond de Andrade. Humanizar o homem.

As viagens

O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto — é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.

Carlos Drummond de Andrade

Terça-feira, Setembro 04, 2007

antigo, idos de 03/04. qualquer hora volto a postar recentes.

A ARMA DO CRIME

acendo um cigarro
dou mais um gole no absinto
o gosto de anis
se mistura com a fumaça

de repente vejo o Tempo passando
faço menção de pará-lo
para dizer algumas coisas
mas não
Ele não parou

Porque Cronos
o mais poderoso Titã
iria dar atenção a um ser
cuja espécie Ele ignora?

fiquei frustrado
por isso escrevi esse poema
para matar o tempo
ao menos, desse jeito,
me senti vingado

Sexta-feira, Agosto 17, 2007

eu acabei de reparar que nunca tinha postado (Sina) aqui....


então vamo que vamo!


(SINA)

Você consome feijão, ovos, chocolate,
......coca-cola, chás, água mineral,
......consome banhos, roupas, mertiolate,
......pastas, creme e uma vida natural.

Você consome jornal, livros, dvds,
......cultura, crenças, escolas de samba,
......consome marcas, idéias, por quês
......e uma ou outra quase coisa malandra.

Você consomerotinaconsomerotinaconsome
......família, gato, cachorro,
......consome a cachaça consome o esporro.

Você consome a vida que você mesmo assistira
......e consome o consumo consome você
......e, por fim, você se consome e vira

.................................................um subproduto final.

Terça-feira, Agosto 14, 2007

voltando a postar...

FIST FUCKING

o que eu queria
naquele momento
era te rasgar
ao
meio

e penetrar
dentro de você
mão braço cabeça tronco
até jazer
inerte
no colo do teu útero
de volta aonde nunca deveria ter saído.

Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007

olha aí gente, agora eu tô no u-tube também!!!
leitura do meu poema "Prefácio" na Acadêmia Brasileira de Letras, durante a premiação do I Concurso Carioca de Poesia.

http://www.youtube.com/watch?v=WXWEsWscvHY

eu sou o penúltimo dos poetas a falar nessa sequência!

Quinta-feira, Janeiro 04, 2007

SOBRE O AMOR E A NOSSA LOUCURA


eu sei que sou
estranho confuso muito louco até demais
e as vezes acordo na noite com sonhos estranhos
mas espero que você atureas minhas crises de paranóia

e se as noites forem muito longas
o seu colo é como o âmbar de uma tarde
em que todo dia eu volto do serviço
sabendo ter onde recostar

é que a culpa disso tudo é que eu
te amo te amo te amo te amo te amo te amo
até mais do que eu queria
(confesso que sempre preferi
os amores onde não amava tanto
mais contidos
me sentia mais seguro assim)

as minhas brigas com o telefone
o banco o mecânico o governo o trânsito o jornal
são muito chatas
mas você até que ri disso tudo
e da luz que eu esqueci de pagar

e acho que é por isso
que o seu sorriso é um lago tranquilo
onde passeio com meu barquinho
pretendendo os nossos segredos de amar

é estranho mas o nosso desejo mora
nas viagens de ônibus no carro na cozinha
em farta companhia na nossa cama king size
ou nos brinquedos que queremos ter
e no final das contas a gente adora
se aventurar em conhecer o mundo e o querer

eu te entendo você me entende
e o estranho é que a gente não consiga
se entender
mas a nossa aceitação pode até mesmo
curar algumas das nossas neuroses

e mesmo inseguros autosuficientes
capazes de criar muros intransponíveis
conseguimos nos entregar
devagarinho

por isso que tenho certeza
que com o nosso amor
e alguns eletrodomésticos
a gente pode até mesmo
se casar





(alguém notou que eu postei isso?)

Segunda-feira, Dezembro 18, 2006

um indivíduo de procedência e nome desconhecidos, que atende sob a alcunha de papai noel foi preso portando 300 kilos de cocaina em um grande saco vermelho dentro de um trenô voador. o mesmo foi autuado por uso excessivo de drogas (o meliante se encontrava todo agitado, trincado, com o nariz extremamente vermelho), tráfico internacional (argumentava que ainda tinha que viajar o mundo inteiro aquela noite), e por suas renas cagarem em cima da viatura, motivo que levou os pêemes a fazer a averiguação e consequente detenção de tal escória. neste instante, o réu encontra-se detido na 19 DP de Varginha para prestar maiores esclarecimentos.

Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

a cidade já está repleta de luzes de mal gosto, vitrines multicoloridas anunciando enormes promoções que não vou poder pagar, a fila dos meus credores se atiça imaginando que possa sobrar resquia do meu décimo terceiro salário, as pessoas sorriem feito perfeitos idiotas nas ruas acreditando em paz, amor e em um ano sem ataques do PCC ou segregação social, as propagandas fingem que as empresas são muito nossas amigas e desejam que sejamos felizes e compremos seus produtos, o calor cada dia fica mais insuportável e eu ainda estou trancado em um maldito escritório... ahh, o natal! que época mais inspiradora e feliz!
em homenagem a esta tão bela época repleta de moços gordos (ou nem tanto) e barbudos tirando um extra fazendo ho-ho-ho (hey-ho let´s go!) vestidos de vermelho, republico aquele que é meu mais autêntico conto de natal.

O DUENDE ROQUENROL

Aquela noite de trabalho o duende Tom não estava muito legal... havia bebido muito na véspera, brigado com a mulher por ter chegado bêbabo, numa puta ressaca e ainda tinha perdido o trenó das 5, ficando mais tempo na neve e aumentando a gripe que já havia se aproveitado da sua baixa resistência. Ele até havia pensado em não ir trabalhar, mas o problema é que ele recebia por diária e estava com o cartão de crédito estourado. O pior é que com a proximidade do natal a linha de montagem passara a ter um ritmo cada vez mais intenso e o Papai Noel, em crise com a Dona Natalina, estava cada vez mais insuportável.

- Vamos seus molengas!! Temos que trabalhar rápido! Se eu não começar as entregas logo muitas crianças boazinhas vão ficar sem presente!! - Gritava um histérico e avermelhado Papai Noel - Você, da sessão 7, ande rápido com essas bicicletas!! Você, da sessão 9, corra para a sessão 2 pois estamos precisando de mais pessoas fabricando bonecas!!

O pior é que a dor de cabeça do duende Tom só aumentava e aquele velho barbudo só fazia gritar mais alto... aonde ele tinha arrumado toda aquela empostação vocal? Fazer ho, ho, ho deve limpar bem a garganta porquê nunca ele havia visto algum bastardo maldito gritar tão alto. O que aquele maldito cara de camisa vermelha pensava que eram eles? Escravos? Ele era um duende consciente e esclarecido, conhecia a história dos duendes, sabia de seu passado de glórias quando eles podiam viver livremente nas florestas européias apenas aprontando e entrando em histórias da carrochinha. Ele mesmo já havia feito uma ponta numa versão de "Sonhos de uma noite de verão". Não é só porquê as crianças não acreditavam mais neles que a glória de dias passados havia sido apagada de sua memória. Naquele momento ele maldisse sua sina e até pensou: - "Merda! Por que eu não aceitei aquele maldito emprego de duende de shopping? Pagava mal mas ainda é melhor do que aturar esse velho histérico"

Distraído em seus pensamentos, o duende Tom se enganou e acabou enfiando uma cabeça de power-ranger numa boneca de pano. Papai Noel, sempre atento aos movimentos de seus funcionários, não perdoou e caiu matando.

- Seu duende de merda!! Tá pensando que isso aqui é a casa da mãe joana? Isso aqui é uma linha de montagem, é preciso uma grande disciplina e muita concentração para que as coisas aconteçam! Se vocês não trabalharem direito, o natal das criancinhas vai ser muito triste!!

O duende Tom respirou fundo e tentou manter a calma...

- E tem mais, se você acha que meu trabalho é moleza, você não imagina o que que é voar meio mundo em menos de 40 horas, eu até tento usar o fuso horário a meu favor, mas sempre acabo perdendo a hora na China!! Você acha que eu gosto de ficar rodando e rodando com aquelas malditas renas? E elas cagam pra caralho, o tempo todo tem que parar e ai de mim se elas cagarem no teto de alguma família americana!! Aí aparecem milhares de jornalistas fazendo especulações sobre a minha existência e aí adeus paz aqui na Lapônia... Eu fico aqui o ano inteiro isolado, você acha que é legal só ser lembrado por um mês? Acha que é legal ser trocado na sequência pelo coelhinho da páscoa? E a porra das crianças acreditam que um coelho ponha ovos de chocolate!!

O duende Tom continuava a tentar manter a calma, mas seu sangue estava subindo...

- É... eu já tô aqui nessa lapônia há mais de 400 anos e você é um duende novo, não sabe o como é chato viver nessa porra que só neva o ano inteiro!! Você acha que eu sou feliz? Acha q eu estou satis...

- CALA ESSA MERDA DESSA BOCA!!! EU NÃO TENHO MAIS QUE ATURAR ISSO!!

Papai Noel até corou de susto com a reação do Duende Tom.

- O que que você está pensando da vida? Que é o Papai Noel? Porra, eu só peguei esse emprego porque pagava bem, mas você só paga por hora!! Eu vou te denunciar pro sindicato dos duendes! Qualquer shopping center oferece condições mais humanas de trabalho!! Eu fico aqui a porra do dia inteiro montando bonecas, sem hora pra almoço ou café, sem poder fazer xixi! Eu sou duende mas eu sou gente, viu?!? Eu não tenho que aturar sua encheção de saco não! Você se acha grandes merdas, mas só dá presente pras crianças ricas! Não tem esse papo de a criança ser boazinha! Porquê que você não dá presente pras crianças africanas

- Mas elas não comeram direito o ano todo... - resmungou um Papai Noel atordoado

- E tem mais! Você é um madito símbolo do capitalismo selvagem!! Acabou de vez com o espirito de natal, porque hoje as criancinhas só querem saber de ganhar presente! Até xingam os pais!! E você acha que elas querem bicicletas, bonecas? Elas querem é Playstation!! Esses presentes todos aqui são ultrapassados, se os pais delas acharem que só isso vai bastar, lá vem a encheção de saco "Papai, mas eu pedi Playstation 2", "Mamãe a minha boneca não fala..."! E essa roupinha vermelha ridícula e ultrapassada, ainda não expirou o contrato com a Coca-Cola? Vê se toma tenência e trata de ser mais humano! Ou toma uma merda de viagra e vai dar um confere na Dona Natalina, porque esse duende aqui tá de saco cheio! Já era! FUI!!

Nisso os outros duendes pararam todos o trabalho e começaram a gritar palavras de ordem. - Queremos greve!! Férias!! Décimo-terceiro!! Aposentadoria!! Horas extras!! Fora papai noel, viva a revolução!! E logo uma bandeira do PSTU foi improvisada com roupas usadas do Papai Noel, era o fim da ditadura do bom velhinho. Mas o duende Tom não tinha nada a ver com isso, ele já havia saído de lá procurando o próximo trenó para casa. Estava pensando em arrumar um bico como mascote do Boston Celtics, ou quem sabe arrumar uma ponta numa nova versão do Harry Potter, na verdade ele bem ouviu falar que estavam pensando em fazer uma nova versão de "Sonhos de uma noite de verão" em Londres, quem sabe depois ele emendava numa produção teatral da "Fantástica Fábrica de Chocolates", mas enfim, qualquer coisa, até um emprego de duende de shopping, era melhor do que trabalhar naquela maldita linha de produção.

E naquele natal o pequeno Bob ficou sem presente.

Terça-feira, Novembro 28, 2006

uma carta perdida para alguém perdido em algum tempo que já não lembro mais qual é.



são tantas noites
a se fingir
de dia

e tantas coisas
que quebrei
(em mim)

eu sinto muito

não descanso as horas
alongo os instantes
na letargia da alma inquieta
remoendo as migalhas

era bomba era fogo
era um pedaço exato
foi o instante que perdi
e a miséria que tenho em mim

eu sinto muito

existir entre o pão e a espada
capataz incapaz de si
dilacerando a poesia
dos instantes
pra ver se tira dos restos
algum sentido

e subito descobrir
que o mundo é desmistério
ferramenta do óbvio acaso
sonho impregnado na matéria
e não há despertar

eu sinto muito

Sexta-feira, Novembro 24, 2006

esse texto aqui eu fiz a pedido do meu amigo Rod Britto. na época ele estava lançando a série PAF (Pequeno Alto Falante), dentro do trabalho que ele já fazia com essa marca (jornal, evento, intervenções urbanas) e me chamou para publicar uma edição especial com poemas meus dentro da temática "Poemas Confessionais". parei muito para pensar, queimei a minha pouca mufa e finalmente eu escrevi esse poema - o mais confessional que eu consegui.

O QUE DIGO

não vou contar
que sofro de gases
e tiro caquinha do nariz
escondido (ou nem tanto)
e que as vezes me divirto
soltando pum
e deixando todos constrangidos

que as vezes saio sem cueca por baixo
minto nos meus poemas
e finjo ser melhor amante
e mais romântico
e apaixonado
do que verdadeiramente sou

nem mesmo insinuo
o quão cretino me sinto
em alguns dias
quando percebo o quão idiota é o mundo
e acho isso divertido

nunca contarei
das minhas loucuras ridículas
paranóias insanas
de minha mente fertil
nem dos deuses que invento
a cada manhã
lendo o jornal

ignorarei
que o leite fica mais caro a cada dia
e não existem mais
os leiteiros de drummond
e a caxinha longa vida
é feia de tão ascética

não direi a verdade
que não sei amar direito
que a paixão é a minha doença
e minha mente nunca fica
muito tempo nos mesmos pensamentos
e eu estou sempre olhando distante

nem escreverei
o quanto sou tosco em meus pensamentos
que não dou muita bola
pra regras sociais de convivio
e as vezes tenho vontade de mandar
tomar no cú
uma porrada de gente

em minha poesia

mostrarei somente
o que percebo
do mundo

impressões

a única verdade
objetiva

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

concordo:
eu fui um canalha
quando dei a ela
o poema que fiz para a outra,
mas foi ela que insistiu.

(não sabia?
que nunca escrevo
poemas ao verdadeiro amor.
apenas caprichos
e desejos)

Sexta-feira, Novembro 17, 2006

da série "deu mole eu to pegando"... roubei estes versos da simpática bruna beber que, além de responder a um convite, ainda visitou este humilde e esquecido blog. sim, mais um poema roubado sem prévio consentimento. um dia me batem.

Travessão

Eu passo a palavra aos insones descabelados/ com dívida no carnê do Jardim da Saudade®/ que caminham nus em madrugadas frias/ até os trampolins rachados/ que dão para o mar/ e dentro do mar um ralo entupido de cabelos/ para mudar o rumo das marés com um suspiro/ de amor.

Bruna Beber
dos antigamentes... um poeminha meu da agenda da tribo 2005...

"O FATO
(poema para um amigo desesperado)

A vida é fato:
Relaxa
Senão não encaixa.

É nessa tecla que eu bato
Enquanto não chega o fim
Colha as flores do jardim"

Quinta-feira, Novembro 16, 2006

uns pequenos versinhos vulgares...

"O anel que tu me destes
tinha prega e se rasgou
O amor que tu me tinhas,
sua vadia, acabou."

(sim, são meus)